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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Legião Estrangeira - RESUMO


A Legião Estrangeira

Clarice Lispector estréia, no conto, em 1952, com “Alguns Contos”, conjunto de textos escritos na década de 40. Em 1960, surge a obra “Laços de Família”; em 1964, Clarice lança “A Legião Estrangeira”. Os 13 contos de A legião estrangeira abordam o cotidiano familiar, a perversidade infantil e a solidão. Como apontou o escritor Affonso Romano de Sant’Anna na introdução de uma antiga edição do livro, para Clarice Lispector importa mais a geografia interior. “Ao invés de tipos épicos e dramáticos, temos figuras situadas numa aura de mistério, vivendo relações profundas dentro do mais ordinário cotidiano”, escreveu. “Mais do que as aventuras, interessa-se por descrever a solidão dos homens diante dos animais e objetos.” Entre os contos destaca-se “Viagem a Petrópolis”, escrito quando Clarice tinha apenas 14 anos. Neste, a precoce escritora narra a absurda solidão de uma velhinha que, sem lugar para morar, é empurrada de uma casa para outra. E o leitor perceberá em “Os desastres de Sofia” uma história de transparente sensibilidade, em que a autora aborda a perversidade infantil por meio do relacionamento de uma aluna com seu professor.
A vulnerabilidade dos animais diante dos homens, e vice-versa, está presente em “A quinta história”, “Macacos” e ainda em “A legião estrangeira”. Como também apontou Affonso Romano de Sant’Anna, a tensão nos contos de Clarice surge da oposição Eu X Outro, que pode ser um animal, uma criança ou uma coisa. “Dessa tensão é que surge a epifania, a revelação de uma certa verdade.”
O primeiro conto do livro é “O ovo e a Galinha”. Se parece mais com a uma dissertação sobre o mistério do ovo. Mas sendo algo entre a crônica e o conto ou um simples texto sem classificação, pouco tem daquela organização que encontramos no poema “O Ovo da Galinha”, de João Cabral de Melo Neto.
“O Ovo e a Galinha” começa com uma frase em que se identifica o tempo, o espaço e o narrador da história: “De manhã na cozinha sobre a mesa vejo um ovo”. Em seguida todos esses referenciais começam a ser desmantelados: “Imediatamente percebo que não se pode estar vendo um ovo. Ver um ovo nunca se mantém no presente: mal vejo um ovo e já se torna ter visto um ovo há três milênios.” O assunto inicial, o ovo, vai desdobrando-se e multiplicando-se com o desenrolar do texto. Definido como “tratado poético sobre o olhar”, pelo crítico José Miguel, ou como “meditação”, por Benedito Nunes, “O Ovo e a Galinha” é um texto que alarga os limites da obra literária e, embora apresente os elementos básicos de uma narrativa, faz pensar sobre o que é preciso exatamente para contar uma história, coisa que de fato não ocorre em seu caso.
Já “A Quinta História” relata uma história, a de como matar baratas, em cinco versões, o que leva ao questionamento sobre as muitas formas de marrar um fato, o que incluir, o que excluir, e como um mesmo fato pode originar histórias muito diferentes. Nesse conto encontra-se a reflexão sobre o fazer literário que acompanha os contos de Clarice Lispector desde o livro de 52. As várias histórias com princípio semelhante, mas tomando direções diferentes confirmaria o que a própria autora disse em “Os Desastres de Sofia” – algumas histórias se fazem como fios de tapete e, na verdade, uma estória se faz com o enredamento de muitas histórias.
O conto “Os desastres de Sofia” tem sua unidade temporal – o tempo da parte mais essencial – na admiração de um professor pela redação de uma aluninha de nove anos de idade. É o momento mágico em que Sofia descobre o que é o amor, lá na origem perturbadora desse sentimento que é o grande desejo de toda a humanidade. A aluna Sofia sente aparente aversão ao seu professor, mas como ele não a olha e age como uma pessoa temerosa diante dela, Sofia fica atraída pelo prazer de espicaçá-lo e sempre faz o que acha ruim para ele. Escrevendo uma redação, ela acaba por, inocentemente, afirmar que a felicidade está dentro de cada um, é inútil procurá-la fora de si. Após ler, o professor fica tão encantado com o texto de Sofia que a chama a sós na sala de aula e lhe confessa sua admiração pelo texto; e, por extensão, pela jóia que Sofia precisava ter no coração para definir tão bem a felicidade. Bem assustada, Sofia aprende o que é o amor e como ele habita no coração humano. Isto a leva a sentimentos que jamais esquecerá. Principalmente quando, aos treze anos, fica sabendo que esse professor morrera: “Perplexa (…) eu perdia meu inimigo e sustento.”
FONTE: http://resumodelivro.com/clarice-lispector/a-legiao-estrangeira/

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